Cabras podem reconhecer as suas expressões — e preferem ver você feliz

De acordo com um estudo publicado na Royal Society Open Science, assim como os humanos, as cabras preferem interagir com pessoas sorridentes e evitar as carrancudas. 

Esta é uma das conclusões de uma pesquisa que buscou compreender a relação entre estes animais, que estão se tornando o novo cachorro, e o ser humano.
Essa habilidade, acreditam os cientistas, é uma herança de séculos de convívio conosco. “A domesticação formatou a fisiologia e o comportamento dos animais para se adaptarem melhor aos ambientes humanos”, afirmam no artigo. “Portanto, as expressões faciais humanas podem ser altamente informativas para os animais domesticados, por trabalharem próximos das pessoas, como cachorros e cavalos.”
Mas até a publicação do artigo não se sabia se as cabras, animais geralmente domesticados para produção, tinham as mesmas percepções que os melhores amigos do homem. Por isso, um grupo de pesquisadores (que inclui duas brasileiras) observou como um rebanho de cabras interagia com duas imagens de figuras humanas desconhecidas: uma estava feliz e a outra triste.
Os cientistas observaram que a maioria das cabras interagia primeiro com a imagem de uma pessoa feliz, indicando que elas são capazes, sim, de identificar nossas expressões. “Elas não apenas podem distingui-las, como também geralmente preferem rostos felizes, sem discriminar o gênero das faces humanas ou o sexo das cabras”, explicam no estudo.
Ainda assim, elas demonstraram mais interesse nos rostos positivos quando eles estavam ao lado direito do celeiro, algo que pode estar relacionado ao viés do hemisfério cerebral das cabras.
Como conclusão, o estudo mostrou como a domesticação afeta mais as habilidades cognitivas dos animais do que podemos imaginar. “Estas descobertas sugerem que a habilidade dos animais de perceberem as expressões faciais humanas não está limitada àquelas com um longo histórico de domesticação como companheiros e, portanto, pode ser muito mais difundida do que imaginávamos anteriormente”, afirmam.

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