Louça suja ajuda a descobrir como se alimentavam nossos antepassados

A arqueóloga Eva Rosenstock, que trabalha observando antigos artefatos em locais antigamente ocupados pela sociedade, voltou grande parte de seu trabalho para Çatalhöyük, uma famosa cidade neolítica em Anatolia, na Turquia. 



Rosenstock foi uma das principais investigadoras da área, que teve o fim de sua civilização em um período próximo de 5700 a A.C.

Observando dezenas de quilos de cerâmicas utilizadas para os mais diversos fins, ela descobriu um depósito calcificado que, com algum material acumulado dentro das próprias cerâmicas, levantou a hipótese de conservar algo para além dos efeitos da passagem do tempo.

Foi quando ela conheceu o trabalho de Jessica Hendy, arqueóloga da University of New York, que envolve extrair proteínas de cálculos dentários em dentes fossilizados para analisar as moléculas ali contidas e aprender sobre as dietas de nossos antepassados. Ambas, então, mergulharam na análise das cerâmicas.

O resultado deste trabalho foi publicado em um estudo no periódico Nature Communications, revelando o quão efetivas podem ser louças sujas na ajuda para entender o passado.

“Esta é a mais antiga análise bem sucedida de proteínas para estudar alimentação em cerâmicas que já ouvi falar”, conta Hendy. “O que é particularmente significante são os níveis de detalhe que pudemos enxergar de práticas culinárias nesta comunidade”, completa.


Os cacos de cerâmica exibiram proteínas de inúmeras plantas – cevada, trigo e ervilha – assim como o sangue e leite de diversas espécies de animais, incluindo vacas, ovelhas e cabras. Mais interessante ainda para os pesquisadores foi a precisão com que puderam identificar tais proteínas, incluindo a assinatura de endosperma, a parte comível das plantas. 

O leite observado ofereceu ainda mais conclusões, já que pesquisadores puderam distinguir soro de outras partes do líquido – indicando que a comunidade transformava o alimento em outra coisa, como queijo ou iogurte.

Hendy e Rosenstock não são as primeiras a usar proteínas como janelas de observação de nossos antepassados: em 2008, pesquisadores buscaram por proteínas aprisionadas em potes de barro que pertenciam aos Inupiat do Alaska em 1200 A.C. 

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